Uma experiência de representatividade com as Barbies

Acredito que a maioria das meninas dos anos 90 tenham brincado muito de Barbie e sonhado em ter aqueles cabelos "perfeitos", aquela pele, aquela "popularidade".

Era fácil se transportar para um outro mundo, o que é normal em qualquer brincadeira de criança que mexe com a imaginação, mas acaba sendo um problema quando falamos em representatividade.

Por muito tempo (e ainda hoje) meninas negras não se viam representadas nos brinquedos, o que acabava gerando diversos problemas de autoaceitação.

Hoje, trouxemos o texto da Mari (Mariana Caetano), de 25 anos. Ela escreveu em 2014 e teve como motivação a reportagem do site Hypeness sobre bonecas negras que foram lançadas na Nigéria e já vendiam mais do que a própria Barbie no país (http://www.hypeness.com.br/2014/07/conheca-a-historia-do-homem-que-revolucionou-o-mercado-de-bonecas-na-nigeria/)

Quando eu era pequena só gostava de brincar de Barbie e lembro que minha mãe não gostava muito disso, mas não entendia o porquê...Com o passar dos anos vejo o porquê desse "não gostar" da minha mãe: a Barbie é uma boneca linda, maravilhosa, considerada a "boneca ideal", sem defeitos...E é ai que o problema começa, a criança cresce brincando com a boneca e chega a adolescência (uma fase muito importante, mas na minha experiência a mais irritante-tanto para quem está passando, quanto para a família), e se nesta fase você não for uma pessoa muito resolvida psicologicamente, com certeza você vai passar por problemas de personalidade e ai você vai lembrar da sua infância, que era fácil e a rainha do baile era a Barbie...Opa! Então... Se eu for igual a Barbie...Vou ser popular e todos vão me amar fácil?

Bom, não tão fácil: a Barbie apresenta um corpo que nunca vi uma pessoa, principalmente uma adolescente sem cirurgias apresentar, seios grandes, cintura finíssima, cabelos lindos sedosos e loiros, pele espetacular e em uma fase de transição como na adolescência, como ter um cabelo perfeito, uma pele sem espinhas e um corpo ideal?

Lembro também que quando comprava uma Barbie, sempre olhava as negras também, mas eu não conseguia me ver nelas. As Barbies negras de 1998 tinham olhos claros, nariz fino, cabelo liso. Pareciam a Barbie loira, com a pele escura e o cabelo também, mas o resto não mudava. É claro que existem negros com esta fisionomia, mas e os outros com cabelo afro ou cacheado, diferentes tonalidades de pele, boca e nariz grande? É feio ser assim? É feio ser quem eu sou? Ficava pensando: “se têm tantas variedades de Barbie, por que não representar as diferentes cores do ser humano ou a vasta variedade de características e não só em edições especiais?

Confesso que sofri muito com a minha própria aceitação e digamos que ainda estou lutando, mas hoje em dia consigo me ver sem o padrão "Barbie" e entender a diferentes belezas espalhadas em cada um. Porém, me preocupo com essas crianças que vão passar por dificuldades parecidas sobre aceitação que passei, parece bobagem, mas essa reportagem me deixou mais feliz em saber que existem pessoas que se preocupam e estão pensando no futuro psicológico dessas crianças.

Meu tempo de Barbie já passou e minha fase de querer ser perfeita também e hoje em dia sou assim: se estou conversando com você e lhe tratando bem é porque gosto de você e me respeita, então lhe respeito, independente, da sua cor, gênero, idade, nacionalidade, orientação sexual, tipo sanguíneo. Se estou conversando com você não estou pensando: “nossa sou negra e você é de outra cor, é diferente... Preciso tratar você diferente!", não vou pensar: "Oieee, sou a Mariana. Cara tu é legal pra caramba, muito gentil, por isso vou retribuir essa gentileza!"

Obrigada Mari por esse texto incrível!

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